sábado, 14 de fevereiro de 2009

Fundação volta a ser autônoma

CULTURA
Fundação volta a ser autônoma
Prefeito afirma em audiência que tirará a Franklin Cascaes da Setur

A Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes não permanecerá subordinada à Secretaria de Turismo (Setur). Ontem, durante audiência com artistas e produtores culturais, o prefeito Dário Berger afirmou que vai encaminhar, na próxima semana, um novo projeto à Câmara de Vereadores para restaurar a autonomia da instituição.No final de janeiro, os vereadores haviam aprovado o atrelamento da Franklin Cascaes à Setur, uma das medidas da reforma administrativa apresentada pelo prefeito. A mudança provocou inconformismo da classe artística, que resolveu se mobilizar para tentar reverter os efeitos da lei.Na audiência, os produtores culturais apresentaram ao prefeito dois documentos – um elaborado nos últimos dias e outro antes das eleições municipais – no qual defendem a importância da autonomia da fundação e pedem outras providências no campo da política cultural, como a criação de um conselho de cultura, um fundo municipal exclusivo para o setor e o aumento da receita líquida destinada à cultura – de apenas 0,37% em 2007. Um dos documentos também continha um abaixo-assinado do qual participaram 40 entidades e 289 pessoas ligadas a atividades culturais.– As demandas são antigas e algumas nunca foram atendidas. A fundação precisa estar mais próxima da comunidade e dos consumidores de cultura – disse o presidente da Cinemateca, Thiago Skárnio.Antes de anunciar sua decisão, o prefeito ouviu as manifestações dos produtores e disse que o objetivo do Executivo era fortalecer a fundação, não enfraquecê-la. Dário Berger reconheceu que deveria ter “dado mais atenção” a algumas áreas na sua primeira gestão e afirmou que a sua intenção era facilitar a busca de recursos de forma conjunta entre turismo, cultura e esporte (a Fundação Municipal de Esporte também passou a integrar a Setur).– Se esse é o desejo da categoria, na próxima semana vou encaminhar novo projeto à Câmara – assegurou.Além da manutenção da autonomia da Franklin Cascaes, a classe artística também cobra da prefeitura o cumprimento de metas estabelecidas pelo Sistema Nacional de Cultura e oficializadas num protocolo assinado entre município e Ministério da Cultura (MinC), em 2005. Uma dessas medidas trata da composição do conselho municipal de cultura.– Não é somente a autonomia que vai garantir a qualidade da gestão. As políticas públicas também são importantes – comentou a presidente da Associação de Produtores Teatrais da Grande Florianópolis (Gesto), Marisa Naspolini.MÁRCIO MIRANDA ALVES

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