quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Teatro do absurdo

Teatro do absurdo
Cau Hansen tornou-se palco de feirões, cultos e formaturas

O Centreventos Cau Hansen foi um projeto pioneiro no seu modelo na América Latina. Uma arena multiuso prometida para shows, teatros, orquestras, enfim, um lugar para respirar cultura. Discursava-se que o espaço seria responsável por colocar Joinville nos grandes roteiros culturais do Brasil e do mundo, alavancar o turismo da região, dito como momento histórico da arte e cultura catarinense e comparado às maiores evoluções da história do País. Passaram-se mais de 10 anos da inauguração, muitos shows e as anuais edições do Festival de Dança, e o Centreventos foi perdendo o encanto.Os grandiosos eventos culturais esperados para abrilhantar as noites joinvilenses terminaram em formaturas e cultos: é basicamente o que está na agenda de 2009. Esporadicamente, alguma feira (algumas delas, feirões de carros), exposições e um ou outro evento esportivo. Só o Festival de Dança faz jus ao motivo de ele estar ali como casa de eventos culturais. E não é por falta de espaço: só o palco tem uma área total de 1,2 mil metros quadrados.Borges de Garuva, gerente de ensino e artes da Fundação Cultural de Joinville, explica a falta de espetáculos culturais no local:– Essa agenda foi herdada da administração passada e os contratos vão ser cumpridos.Segundo ele, somente a partir de agora vão começar as mudanças. A Conurb vai deixar a administração do Centreventos e passá-la à Fundação Cultural. Uma equipe de transição será responsável por levantar as necessidades do local e pensar nas melhorias. O objetivo é tornar os espaços do prédio do Centreventos mais voltados para a cultura.Mas para atrair os produtores, será necessário muito mais do que mudar a administração. Luciano Cavichiolli, produtor cultural conhecido por trazer montagens nacionais à cidade, diz que o Centreventos só continua sendo solicitado para formaturas e acontecimentos religiosos por ser um dos maiores espaços cobertos para eventos na cidade.– Mesmo assim, é preciso investir – avisa.O produtor aponta uma série de problemas na estrutura, e é pontual nas críticas: “construíram um negócio para servir para tudo, e não serve para nada”.

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