quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Depois do palco

CULTURA
Depois do palco
MINISTÉRIO DA CULTURA LANÇA CAMPANHA SOBRE APOSENTADORIA PARA ARTISTAS. POR ENQUANTO, A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A CLASSE É CONTRATAR PLANOS PRIVADOS

No sistema previdenciário oficial, a classe artística é tratada como o inseto inconsequente da lenda da cigarra e a formiga, que acaba sem nada quando chega o inverno. A terceira idade da arte não tem refúgio no INSS – mesmo os que se dedicaram a vida inteira às artes não podem se aposentar pelo governo. Para chamar a atenção para o problema, o Ministério da Cultura está veiculando a campanha Cultura Previdenciária. Mas a única solução concreta para a classe é contratar um plano de previdência privada.O barítono Douglas Hahn, 40 anos, faz parte de uma rara classe de joinvilenses: os que vivem exclusivamente da labuta artística. Ele participa de montagens de óperas nos grandes centros do Brasil e na Europa, o que é garantia de uma fonte de renda estável. Douglas é um cantor profissional, mas sua última “aparição” no sistema previdenciário foi há 13 anos, quando era bancário.Preocupado com o futuro, ele está guardando dinheiro. “Ainda não fiz um plano de previdência privada, mas estou poupando. Em determinando momento da carreira, você acaba saindo de cena, então é preciso ter uma reserva”, conta Douglas. Ele diz que os cantores eruditos veteranos costumam poupar para abrir um negócio. “Mas abrir um restaurante, por exemplo, não é aposentadoria. É continuar a trabalhar quando você já deveria estar descansando. A arte é uma coisa séria, e assim deveria ser encarada pela previdência oficial.”Desde 1996, Rubens Franco dedica-se 100% à carreira de ator teatral. O artista de Jaraguá do Sul trabalha como palhaço, personagem de peças, Papai Noel e até Coelho da Páscoa. A agenda de apresentações é cheia – bem diferente da situação de sua carteirinha de contribuições ao INSS. “Deveria estar fazendo um plano de previdência privada, mas não estou. Neste ramo, é difícil fazer esse tipo de aplicação, os planos privados são muito caros”, assinala Rubens, que está com 49 anos.Temerosa com a terceira idade da arte, a Federação Catarinense de Teatro (Fecate) está tentando credenciar a entidade no CulturaPREV, um plano de previdência complementar fechada exclusivo para os profissionais da cultura. O plano é administrado pela Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), e já conta com a adesão de dez entidades, nenhuma delas do Estado. “Ainda não é a solução para a classe artística. Precisamos de um plano oficial, como qualquer trabalhador”, diz o presidente da Fecate, Leone Silva.Segundo Leone, Santa Catarina tem mais de 110 grupos de teatro. Muitas dessas pessoas trabalham só com as artes cênicas. “É um grande número de artistas que não tem cobertura previdenciária e que passará por dificuldade. O jeito é contratar um plano privado, mas eles são caros e deveriam ser complementares, não a única solução para se aposentar.”Sebastião Salgado de Andrade Machado, presidente regional da Ordem dos Músicos do Brasil, informa que os músicos podem se aposentar pelo INSS se contribuírem como autônomos. Basta entregarem no INSS uma declaração da Ordem comprovando que são profissionais da música. “Mas há músicos com mais de 65 anos que nunca pensaram no futuro e agora estão com problemas. Estou fazendo uma campanha em Brasília para que tenham os mesmos direitos dos trabalhadores rurais, que podem se aposentar por idade”, explica Sebastião.rodrigo.schwarz@an.com.brRODRIGO SCHWARZ JOINVILLE

Nenhum comentário: