quarta-feira, 24 de setembro de 2008

mostra coletiva O Mistério da Rua Idalina Pereira dos Santos, 81



Aconteceu à noite. O dia seguinte amanheceu parcialmente nublado, com chuvas esparsas. A fachada do prédio recém reformado não denunciava o que havia ocorrido. A moradora da casa contígua foi a primeira a perceber: as portas e janelas da sala central haviam desaparecido. Por mais incongruente que fosse. A sala expositiva estava fechada. Vazia desde o dia anterior, quando acontecera a desmontagem da exposição de uma artista paranaense, hoje a sala não possuía acesso. As duas portas e as janelas basculantes tinham desaparecido.
As pessoas que por razões diversas freqüentavam a casa foram, uma a uma colhidas pela mesma surpresa: não era possível atravessar a sala que dava passagem ao andar superior. A sala expositiva estava vazia, fechada. Lacrada. Na imaginação especializada dos freqüentadores do lugar, o cubo branco havia aparecido. Talvez fosse isso. Por alguma razão, por imponderável que fosse, existia agora um cubo branco perfeito. Fechado, proporcional, imaculado. Os mais inclinados ao formalismo das décadas passadas festejaram. Os que já haviam decretado o fim dos espaços expositivos convencionais também. Essa era a prova: o próprio espaço fechara-se. Na falta de alguém que o fizesse, o cubo modernista sumira por conta própria.
Mas os ânimos variavam de um para outro, as discussões se alastravam e o problema continuava. A sala não tinha acesso.
Até que um desenhista curioso e arqueólogo ocasional apareceu para buscar a esposa que trabalhava por ali. Ao saber do ocorrido, resolveu usar de uns métodos de investigação que há pouco tempo começara a utilizar em suas viagens exploratórias.
Decorridos alguns dias, voltou ao local munido de equipamento adequado e começou a escavação. Foram dias de tensão sobre todos os envolvidos. Pouco ou nada se sabia do ocorrido. E as discussões surgidas em torno do assunto não avançavam. O súbito desaparecimento dos acessos à sala central do número 81 da rua Idalina ainda era um mistério.
Até que, depois de muito esforço por parte do jovem estudioso de assuntos extraordinários, uma abertura foi realizada por ele, permitindo, finalmente, que se entrasse na sala vazia.
No entanto, a sala deixada vazia dias antes, trazia agora algumas surpresas...

Fernando Lindote, setembro de 2008

Abertura da mostra coletiva O Mistério da Rua Idalina Pereira dos Santos, 81, sábado, dia 27 de setembro, às 23h45min, no Centro Cultural Arquipélago.
centro cultural arquipélagode terça a sábado, das 15h às 19h
rua idalina pereira dos santos, 81 . agronômica88025-500 . florianópolis . sc .
[48] 3024 5066

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