sábado, 2 de agosto de 2008

Novo filme de Ana Carolina será inspirado na tela do catarinense Victor Meirelles

Cinema
Gênese do olhar
Novo filme de Ana Carolina será inspirado na tela do catarinense Victor Meirelles

O próximo filme da cineasta Ana Carolina é inspirado na tela Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles. A diretora está em fase final de captação de recursos.Com atuação prevista de Fernanda Montenegro, Lima Duarte e Ney Matogrosso, mais elenco português, o filme A Primeira Missa confronta dois planos principais: a exuberância da Mata Atlântica na manhã de 26 de abril de 1500, quando frei Coimbra se preparava para a celebração eucarística, e a própria diretora e equipe no set de filmagem avaliando, em tom de ironia, qual filme fazer.A intenção é refletir sobre a história e a cultura cinematográfica brasileira. A tela entra no filme como um cursor antropológico, uma referência de como os brasileiros vêem a si próprios. Com esta proposta, a diretora pretende fazer a gênese do olhar cinematográfico nacional a partir da obra de Victor Meirelles, finalizada em 1860, na França.A cultura do Brasil como objeto de reflexão não é uma novidade no cinema de Ana Carolina. Com Gregório de Mattos, de 2002, seu último filme e o mais aclamado, ela busca as origens da literatura brasileira através da poesia do poeta baiano.O filme, o único da diretora que ainda não estava em suporte digital, foi lançado na última segunda-feira junto com sua obra completa em DVD, no Cinesesc, em São Paulo. São seis longas. O Boca do Inferno, como era conhecido Gregório de Mattos, foi interpretado pelo também poeta baiano Wally Salomão. No elenco, há ainda Marília Gabriela, Ruth Escobar, Guida Viana, Tonio Carvalho e Eliza Lucinda.O pacote de DVDs deverá facilitar a popularização de seus filmes. Com uma narrativa pouco convencional, o cinema de Ana Carolina é raro nas salas de exibição e inexistente nas videolocadoras. A principal rede de Florianópolis, a Videoteca, não possui um único título diretora.Cineasta receberá homenagem na CapitalDurante a 8ª Mostra Audiovisual Fazendo Gênero, que ocorre na Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), de 22 a 27 de agosto, será feita uma homenagem à cineasta Ana Carolina Teixeira Soares, seu nome de batismo. É provável que seja exibido Amélia. O filme é uma ficção livremente inspirada na passagem de Sarah Bernhardt pelo Brasil, em 1905. A atriz francesa é influenciada por sua camareira brasileira, Amélia, que morre de febre amarela. Sarah Bernhardt passa a conviver com as irmãs da camareira. O filme é sobre o choque das culturas francesa e brasileira e tem no elenco a atriz francesa Béatrice Agenin, e as brasileiras Marília Pêra, Camila Amado, Betty Goffman e o ator Pedro Paulo Rangel.Nascida em São Paulo em 1949, Ana Carolina é uma das cineastas pós-Cinema Novo, e em seus filmes a mulher é alçada da condição de coadjuvante à de protagonista, conforme salienta Cleuza Maria Soares, que pesquisa o cinema da diretora em seu mestrado em Literatura na UFSC. Se na trilogia Ana discute a mulher no universo controlado pelos homens, em A Primeira Missa ela radicaliza, e algumas atrizes vão encarnar personagens masculinos como uma forma de humor de uma sociedade dominada pelos homens.
JÉFERSON LIMA

Os longas de Ana Carolina
Getúlio Vargas, Trabalhadores do Brasil (1974)
Mar de Rosas (1977)
Das Tripas Coração (1982)
Sonho de Valsa (1987)
Amélia (2000)
Gregório de Mattos, Boca do Inferno (2002)

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