domingo, 17 de agosto de 2008

Centro Cultural Arquipélago

O Centro Cultural Arquipélago no dia 16 de agosto (sábado) inaugura duas exposições individuais. Na galeria do Arquipélago a instalação Os Céus Velam Minhas Mortes Contínuas da artista paranaense Gabriele Gomes e no segundo piso, a intervenção Memórias no espaço-tempo do artista de Joinville Carlos Franzói.Gabrielle Gomes, artista paranaense expõe desde meados dos anos 1990 e tem participado de exposições importantes como projeto Antártica Folha com Artes, Bienal do Mercosul e o Programa Rumos do Itaú Cultural. Gabriele realiza trabalhos em meios os mais variados: pinturas, fotografias e vídeos, geralmente registros de gestos que realiza em paisagens e em espaços urbanos, há também instalações. A instalação intitulada Os ceús velam minhas mortes continuas que compõe a exposição individual ocorre pela disposição no chão de cerca de sessenta livros e catálogos de diferentes artistas (uma apropriação de imagens de obras); vestígios de obras (como a embalagem de sorvete do Cildo Meireles); vestígios de obras da artista (como cachecóis de lã nas caixas que são enviados para artistas que admira); junto à fotografias de sua autoria feitas ao longo dos últimos dez anos (muitas delas de intervenções na natureza com elementos como leite, mel, purpurina, tinta e lã ); há também pinturas suas feitas nos últimos três anos; fôrma de bolo, almofada e laranjas jogadas por toda a sala. Frases da artista são coladas nos vidros. Como em suas pinturas e fotografias, a cor viva salta à vista na instalação. Gabriele apropria-se também de uma música interpretada pela artista plástica suíça Pipilotti Rist.Na primeira montagem do trabalho, no SESC de Curitiba, em junho deste ano, Gabriele apropriou-se também do som do mar. Obviamente, na ilha de Florianópolis, tal lembrança se faz desnecessária. Outra diferença com relação à primeira montagem se dá com o espectador, (por conta do espaço físico): na primeira o todo estava disponível como numa vitrine, agora as pessoas poderão aproximar-se. No decorrer da exposição, em Florianópolis, haverá uma intervenção da artista no espaço galeria do site centopéia ( www.centopeia.net). Segundo Daniela Vicentini, que acompanha o trabalho da artista desde o início dos anos 90, no processo de trabalho de Gabriele , aparecem dois tempos: a impetuosidade da ação e o comedimento da organização. Aparecem dois lugares: o ateliê e o espaço público. Uma distinção de tempos e lugares que se misturam com o sentir e o pensar a vida e a arte. É um trabalho que transborda sensualidade plástica, sugere imagens e sentimentos por meio de materiais como lã, renda, conchas, brilhos e volumes de tinta com cores fortes. Pegadas na praia são preenchidas com morangos, mel, leite e azul ultramar; um travesseiro é lançado ao mar; assim como a purpurina ao mar e na parede da galeria; a tinta azul nas dunas e em telas; tintas de todas as cores são postas sobre a madeira até formarem um objeto volumoso. A lã rosa aparece como matéria poética envolvendo uma árvore, uma pedra, balanços de praça pública; com a lã, confecciona vestes para meninas e cachecóis para artistas. Vagarosamente constrói um caminho de pequenas conchas em uma exposição. A instalação os céus... junta todos esses tempos e lugares, se dá como momento de reflexão sobre o próprio fazer, conforma um olhar transbordante, um amor à arte.A sala 2º piso, destinada a receber obras de cunho experimental recebe neste sábado a a intervenção Memórias no espaço-tempo do artista de Joinville Carlos Franzói. Franzói apropria-se de alguns livros Copiador de Caixa da firma Cervejaria Antarctica S.A., localizada em Joinville e que foi desativada em 1998. Segundo o artista: Essa série de trabalhos iniciou em 2001 quando ao visitar a fábrica encontrei uma sala trancada. Após conseguir a chave e abri-la deparo-me com todo o arquivo morto da fábrica intacto e abandonado. A partir daí começo a questionar todo o contexto social, político, histórico e cultural de Joinville, visto que, por meio desses documentos, temos acesso à quase um século de nossa história recente. Começo, então, a entrelaçar esses elementos e resignificar o objeto livro, levando-o ao patamar de objeto puramente protocolar, biográfico e/ou corpóreo. Ao pregar os livros abertos na parede revelo dados de uma vida antes esquecidos pelo tempo, mas que ainda pulsam vertiginosamente no espaço, propondo, ao espectador, uma nova percepção do olhar frente a esse objeto. Reunidos e readaptados ao espaço arquitetônico, os objetos conversam entre si e criam uma nova corporeidade espacial e temporal. São memórias do espaço-tempo incrustadas na parede tal qual a pele que reveste o corpo. Para o artista plástico Fernando Lindote, Franzoi tem como característica constitutiva de seu procedimento o reposicionamento de um mesmo repertório que, de acordo com a localização no espaço que ele estabelece, resignificam tanto esse repertório que o artista articula, como o espaço onde essa intervenção é feita. Mais do que interferir em espaço público, sua obra parece tornar esses espaços internos e íntimos. Espaços de seus discursos intermináveis. O quê: Os Céus Velam Minhas Mortes Contínuas exposição individual de Gabriele Gomes eMemórias no espaço-tempo exposição individual de Carlos Franzói.Onde: Centro Cultural Arquipélago.Rua Idalina Pereira dos Santos, 81. Agronômica. Telefone: 3024-5066www.arquipleagoart.com.brQuando: 16 de agosto ás 19hQuanto: gratuito

Nenhum comentário: