quarta-feira, 2 de julho de 2008

Translúcidos ecos da pele


Translúcidos ecos da pele


A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) abre nesta quinta-feira, dia 3 de julho, às 19 horas, no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis, as exposições “Ecos da Pele”, com esculturas de Ilca Barcellos, e “Translúcidos”, com pinturas de Dirce Körbes.
Apresentando 16 telas de grandes dimensões, Dirce Körbes busca na recombinação de materiais e na atualização de técnicas as possibilidades para sugerir leveza, opacidade e transparência. Trabalhando com uma grande diversidade de texturas e com cores suaves, procura as combinações adequadas para esta série “Translúcidos”. Entre veladuras que sugerem vestígios de imagens, como ressonâncias apenas, se delineiam perfis indefiníveis, emergem figuras esboçadas ao limiar da desmaterialização. Entre rabiscos e pinceladas soltas, transparecem vultos envoltos em silêncio, despersonalizados, alheios, sugerindo transeuntes urbanos.
Para Anita Prado Koneski, professora de Filosofia da Arte do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o que esse jogo das silhuetas humanas vela e desvela é a alternância entre a realidade e nossas relações com a mesma. “Ali está a nossa existência e suas sombras. As sombras são o que há de obscuro na realidade e o que faz das pinturas de Dirce uma filosofia através da arte. Um mergulho profundo no fato de que ‘estamos’ radicalmente instalados no mundo”, afirma.
Dirce Körbes vive e trabalha em Florianópolis, é formada em Artes Plásticas e pós-graduada com especialização em Pintura e em Linguagem Plástica Contemporânea pelo Centro de Artes da Udesc. Pintora e desenhista, iniciou suas atividades artísticas na década de 1980. Sua trajetória inclui exposições individuais e coletivas, além de participações em simpósios no Brasil e no exterior.
A mostra “Ecos da Pele” expõe um conjunto de peças cerâmicas desenvolvidas por Ilca Barcellos ao longo de 2007 e 2008. A multiplicação e gênese de seres fantásticos a partir da superfície/pele de outros é a temática que perpassa as obras apresentadas e relaciona-se intimamente com seu processo de criação. Através do contato íntimo com a pele/superfície da argila, ecoam e transbordam seres que são escutados pelas fissuras, pelos estiramentos, pelas ranhuras, pelas cicatrizes, pelas pregas e circunvoluções; que se fazem, se desfazem e se re-fazem num processo dinâmico ao longo do ciclo vital. O processo de criação emerge da pele/textura, que se manifesta por ondas de convulsão visíveis pelas formas, pelos volumes e pregas. A vida em si, com a sua força vital, se manifesta como ondas que varrem a superfície ou a pele do ser-mãe. A pele surge com um arquipélago de possibilidades que muda continuamente a sua plasticidade, cujo resultado é a diferenciação de ilhas de vida, ou de seres, que se diferenciam, se relacionam e se deslocam do corpo materno para o reconhecimento de seu habitat. Neste universo fantástico, em que as temáticas da maternidade, da fertilidade e da expansão da vida pronunciam-se intensamente, tudo é possível: os novos seres que emergem da superfície migram livremente sobre a superfície matricial e deles podem brotar outros seres. Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Ilca Barcellos foi professora de biologia durante 27 anos, com mestrado em Botânica pela Université de Pierre et Marie Curie (França). Desde sua aposentadoria, há dois anos, dedica-se intensamente à cerâmica escultórica, paixão que permanecera por muito tempo latente. Atualmente desenvolve seus trabalhos nas Oficinas de Arte da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) com Betânia Silveira e no atelier da ceramista Silvina Gallo. Neste breve contato com a cerâmica, Ilca Barcellos já expôs individualmente no Espaço Oficinas do Centro Integrado de Cultura (CIC), em julho de 2007 e, também, foi premiada no Salão do Jovem Artista - Prêmio Aquisição do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), em janeiro de 2008. Em setembro, viaja para o Canadá para realizar uma exposição intitulada “La Génetique hédoniste”, na Maison des Arts et de la Culture de Brompton em Sherbrooke (Canadá

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