quinta-feira, 31 de julho de 2008

Franklin Cascaes, por Sílvio Coelho dos Santos

Artigo
Franklin Cascaes, por Sílvio Coelho dos Santos*

Estamos comemorando o centenário de nascimento do bruxo da Ilha. Franklin Cascaes nasceu em Itaguaçu, Coqueiros, onde sua família possuía engenho e aparelhos de pesca. Cedo manifestou vocação artística, desenhando, esculpindo, moldando e organizando folguedos populares. No engenho da família, escutava cantorias, adivinhações e "causos". Ainda jovem, foi convidado para fazer um curso na Escola de Artífices, onde se tornou professor. Sua curiosidade sobre a cultura da população da Ilha se ampliou com o casamento com a professora Elizabeth Pavan. Com uma velha Kombi, o casal passou a freqüentar o interior realizando entrevistas e registrando narrativas sobre o imaginário ilhéu.No início dos anos 1970, com a implantação da reforma universitária na UFSC, o Instituto de Antropologia foi transformado em museu. Assim emergiu um público interessado em conhecer as coleções do novo órgão, que eram centradas nas áreas de Arqueologia e Etnologia. Observada a limitação, os professores de Antropologia resolveram fazer uma consulta ao mestre Cascaes para saber de seu interesse em vir para o campus. Aceita a idéia, num primeiro momento, através de convênio, o prefeito Nilton Severo, ex-aluno de Cascaes, garantiu uma pequena verba para se organizar as exposições e viabilizar a continuidade do trabalho. Mais tarde, a UFSC contratou Cascaes. A implantação do sistema de televisão na cidade abriu um espaço novo para o folclorista. A riqueza do seu acervo foi valorizada. Suas estórias bruxólicas encantaram os novos focas da TV. O bruxo aos poucos foi sendo consumido pelos antigos e novos moradores da Ilha Tudo isto é mais do que razão para o cuidado com suas coleções.Ao mesmo tempo, crescem as expectativas sobre as homenagens para o homem que está por detrás do bruxo, em particular sua perseverança em registrar e preservar o imaginário popular. Assim, a publicação de 13 Cascaes, seleção de contos organizada por Salim Miguel e Flávio José Cardozo, publicada pela Fundação Franklin Cascaes, deve ser considerada como uma positiva iniciativa de um programa de comemorações que considero muito mais amplo. Cascaes merece.* Antropólogo, pesquisador do CNPq

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