sexta-feira, 11 de julho de 2008

Encontro inédito no país reúne mulheres de teatro em Florianópolis

O teatro por elas
Encontro inédito no país reúne mulheres de teatro em Florianópolis

Qual a contribuição das mulheres nas artes cênicas? Existe uma ótica feminina na produção teatral? Estas e outras questões vão ser abordadas durante o Vértice Brasil, encontro e festival de teatro feito por mulheres, que acontecerá em Florianópolis, de 14 a 19 de julho. A iniciativa é inédita no Brasil e é vinculada ao Projeto Magdalena, rede internacional de mulheres de teatro, que há mais de vinte anos promove encontros e cria oportunidades de colaboração artística em vários países.

O evento inclui mostra de espetáculos teatrais, encontros para troca de experiências, oficinas e exposição de fotos de mulheres em cena. Uma das propostas do Vértice Brasil é capacitar as mulheres a desenvolver novas abordagens na produção teatral que reflitam suas próprias experiências. Também faz parte dos objetivos do Vértice, assim como da Rede Magdalena, promover reflexões sobre o papel da mulher no futuro do teatro e questionar as estruturas existentes. “Queremos articular uma rede de mulheres que estão pensando estas questões no país, buscando dar visibilidade à produção teatral feita por mulheres”, explica Marisa Naspolini, coordenadora do Vértice Brasil.

As palestras e espetáculos são gratuitos e abertos ao público. Já as oficinas, fechadas aos participantes, serão ministradas por quatro renomadas profissionais, duas delas internacionais: Julia Varley (Odin Teatret, Dinamarca), Jill Greenhalgh (Cardiff Laboratory, País de Gales), ambas do Projeto Magdalena -, Leo Sykes (Udi Grudi, Brasília-DF) e Ana Cristina Colla (LUME, Campinas-SP).

A idéia de promover o evento começou a tomar forma em 2004, quando começaram as reuniões das organizadoras Barbara Biscaro, Cleide de Oliveira, Gláucia Grígolo, Marisa Naspolini, Monica Siedler e Nilce Silva. “Há quatro anos o grupo vem se reunindo e fomentando discussões e ações em torno do feminino na cena”, diz Marisa. Sobre o nome Vértice, ela explica: “o nome resume a proposta do encontro: vértice é o ponto de convergência, um ponto em comum entre diferentes direções”. Neste momento, o ponto de convergência é Florianópolis.

A abertura do Vértice Brasil acontece dia 14 de julho, às 20h, no Centro Integrado de Cultura, com exibição de um curta-metragem gravado especialmente para o festival, apresentação da banda Vinegar Tom, formada exclusivamente por mulheres, exposição com imagens de mulheres em cena, da fotógrafa Cleide de Oliveira, e coquetel para participantes e convidados.

O projeto é promovido pela Áprika Cooperativa de Arte e conta com o apoio institucional do Centro de Artes da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina), da Fundação Catarinense de Cultura e da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, além de apoio do Costão do Santinho e Mini Kalzone.

O Projeto Magdalena

O Projeto Magdalena (Magdalena Project) é uma rede internacional de mulheres de teatro contemporâneo, criada em 1986 pela atriz e diretora Jill Greenhalgh, no País de Gales, com o objetivo de debater a contribuição da mulher ao teatro e apoiar a experimentação e a pesquisa, assim como criar estruturas econômicas e artísticas para viabilizar o trabalho das mulheres.
A rede conta com estrutura em países como Noruega, Nova Zelândia, Bélgica, Austrália, Itália, Colômbia, Espanha, Alemanha, Argentina, País de Gales e Dinamarca.


SERVIÇO

Evento: Vértice Brasil, encontro e festival de teatro
Data: 14 a 19 de julho
Locais: Centro de Artes da UDESC (espetáculos e oficinas) e CIC - Centro Integrado de Cultura (exposição e palestras), em Florianópolis.
Entradas: gratuitas para espetáculos, exposição e palestras. As oficinas são destinadas apenas aos inscritos no Encontro.
Maiores informações: www.verticebrasil.net

Contato com a imprensa
Michelle Araújo, jornalista, assessora de imprensa do Vértice Brasil.
Celular: (48) 9144-0022. E-mail: michelleparaujo@gmail.com.



ATRAÇÕES DO VÉRTICE BRASIL

EXPOSIÇÃO “MULHERES EM CENA”
A exposição de imagens de produções teatrais catarinenses focadas no universo feminino, da fotógrafa Cleide de Oliveira, apresenta quatorze fotografias. As imagens com tamanho 60 x 90 cm, são impressas em tecido e apresentam intervenções de pinturas e texturas. O conceito do material utilizado está relacionado com a noção de rede e flexibilidade das formas e estruturas.
Data: de 14 a 19/07
Local: CIC
Horário de visitação: das 13h às 21h
Entrada: gratuita
OFICINAS (EXCLUSIVAS AOS PARTICIPANTES)
Terça-feira (15/07) a quinta-feira (17/07)

9:00 às 13:00 – A PRESENÇA DA PERFORMER Feminina
Oficina com Jill Greenhalgh (País de Gales - Cardiff Theatre Laboratory)
9:00 às 13:00 - O eco do silêncio – dramaturgia vocal com Julia Varley (Inglaterra/ Dinamarca – Odin Teatret)
14:00 às 17:00 - Diretora-norteadora - com Leo Sykes (Inglaterra / Brasília, Brasil – Udigrudi)
14:00 às 17:00 - Corpo multifacetado - com Ana Cristina Colla (Campinas, Brasil – LUME)
Sexta-feira (18/07)
9:00 às 13:00 – Confissão e ação - com Marisa Naspolini (Fpolis, Brasil)
9:00 às 13:00 – Composição do movimento - com Monica Siedler (Fpolis, Brasil)

PALESTRAS
Data: de 15 a 18/07
Local: Sala da Academia Catarinense de Letras, no CIC.
Horário: 17h30
Entrada: gratuita
Programação

Terça-feira (15/07) – “Origem do Projeto Magdalena”, com Jill Greenhalgh.
Quarta-feira (16/07) - "Maria Madalena: olhares sobre o mito", com Eliane Lisboa.
Quinta-feira (17/07) –"Mulheres de teatro: sobre mulheres invisíveis e espaços ginocêntricos", com Brígida Miranda
Sexta-feira (18/07) – “Mulheres-teatro-periferia: a experiência dos Transit Festivals”, com Julia Varley.


ESPETÁCULOS E DEMONSTRAÇÕES
Data: 15 a 19/07
Local: Centro de Artes da Udesc
Horário: ver grade de programação abaixo
Entrada: gratuita (é preciso retirar senha meia hora antes do espetáculo)
Programação

Terça-feira – 15/07

20h30 AS TRÊS IRMÃS – Traço Cia. de Teatro.
Com Débora Matos, Greice Miotello e Paula Bittencourt. Direção de Marianne Consentino.

Quarta-feira – 16/07

20h – SIMULACRO DE UMA SOLIDÃO – Áprika Cooperativa de Arte.
Com Marisa Naspolini, direção de Jefferson Bittencourt.

21h – THE DEAD BROTHER – Odin Teatret.
Com Julia Varley, direção de Eugenio Barba.

Quinta-feira – 17/07

20h – 1A (UMA) – Monica Siedler e Roberto Freitas.
Com Monica Siedler.

21h– MEDÉIA – Téspis Cia. de Teatro.
Com Denise Luz, direção de Max Reinert.


Sexta-feira – 18/07

20h – SANTA – Formas Humanas Animadas.
Com Milena Moraes, direção de Gilbas Piva.

21h – ILLUD TEMPUS – Omamé Teatro
Com Marilena Bibas


Sábado – 19/07

20h – DE MALAS PRONTAS – Pé de Vento Teatro.
Com Vanderléia Will e Andréa Padilha, direção de Pepe Nuñez.


SINOPSES (em ordem alfabética)

AS TRÊS IRMÃS - Livre adaptação da obra de Anton Tchekhov, trabalhada a partir da linguagem do clown. O desejo das irmãs Olga, Maria e Irina é retornarem a Moscou, de onde saíram com o pai, general militar, há onze anos. O espetáculo confronta a todo o momento o plano da vida material com o da vida espiritual. Encenado pela Traço Cia. de Teatro, é fruto da pesquisa de mestrado da diretora Marianne Consentino em Prática Teatral pela ECA/USP.

DE MALAS PRONTAS – É uma comédia irreverente e sem fala, que conta a história de duas mulheres que se vêem obrigadas a compartilhar o mesmo banco no aeroporto... No desenrolar do espetáculo se percebe que compartilhar não é tão fácil assim e os conflitos se sucedem velozmente até a situação chegar a um ponto sem retorno. Só há uma saída: guerra! Com Andréa Padilha e Vanderléia Will e direção de Pepe Nuñez - Grupo Pé de Vento.

ILLUD TEMPUS - Illud Tempus significa tempo de agora e de sempre, em latim. É o tempo atemporal do contar, do sonhar, do inconsciente, de quando Deus era mulher... um conto de fadas contemporâneo. Como contadora de histórias, uma atriz (acompanhada em gravação por instrumentos acústicos e eletrônicos), tece um emaranhado com sonhos de mulheres, histórias Yanomami, textos míticos, contos de fadas, num compor e decompor de imagens, palavras e sons. Com Marilena Bibas, música e vídeo de Jocy de Oliveira - Grupo Omamé Teatro.

MEDÉIA – Trata-se de uma versão da tragédia de Eurípedes. A tônica de Medéia é o amor transformado em ódio. A peça evolui de uma Medéia abatida pelo repúdio do marido, esposa traída que definha no leito, aparentemente conformada com a sorte, para uma mulher animada por um terrível desejo de vingança e extermínio, que não se detém diante do infanticídio para aniquilar completamente o marido. Com Denise da Luz e direção de Max Reinert - Téspis Cia. de Teatro.

SANTA – É uma comédia existencial e conta a história de uma mulher de trinta anos que perde a virgindade numa relação extra-terrestre. A personagem permite ao público entrar no arcabouço de seus segredos mais íntimos e, durante suas confissões, acaba por representar o universo feminino de maneira ousada, sensível e bem-humorada. Com Milena Moraes e direção de Gilbas Piva - Formas Humanas Animadas.

SIMULACRO DE UMA SOLIDÃO – O espetáculo, elaborado a partir de escritos da poeta carioca Ana Cristina Cesar, trata de uma mulher que espera... Sozinha, num vagão de trem, com o jantar servido para dois, ela aguarda um telefonema, uma correspondência, alguém. Ficção e realidade se mesclam, dando origem a diversas situações inusitadas, que trazem à tona diferentes estados emocionais provocados pela solidão. Com Marisa Naspolini e direção de Jefferson Bittencourt - Áprika Cooperativa de Arte.

THE DEAD BROTHER – É uma demonstração de trabalho sobre como as performances são criadas no Odin Teatret e descreve os estágios do trabalho, que começam a partir de um texto poético e se transformam em um “poema no espaço”: a performance. A demonstração apresenta os diferentes estágios do processo no qual o texto, o ator e o diretor interagem. Com Julia Varley e direção de Eugenio Barba - Odin Teatret.

1A(UMA) - A obra fotográfica da artista plástica americana Cindy Sherman é o ponto de partida para a investigação poética de 1A (Uma). A atriz Monica Siedler, em parceria com o artista plástico Roberto Freitas, investiga na cena a multiplicação de personagens estereotipados, através de um jogo que oscila entre a presença “ao vivo” da atriz e sua imagem projetada em tela, explorando questões ligadas às múltiplas identidades femininas.

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