quinta-feira, 24 de julho de 2008

Crítica Cia Teatro Sim...Por Que Não?!!!

Milton Ferreira Verderi, especial para o Aplauso Brasil (milton@aplausobrasil.com)

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - Mimodrama: Sinônimo de “jogo de desempenho de papéis”. Designa mais precisamente um pequeno esquete improvisado partindo de um script para dois personagens ou do tema de um monólogo. Um mimodrama não é uma criação abstrata destacada das condições de tempo e de lugar. Palavras e gestos realizados por seus atores estão ligados ao espaço e mimodrama não pode deixar de ter um “lugar”, que lhe é necessário assim como os personagens que o desempenham.

Originária na antiga Roma, a pantomima – conta a tradição que o ator Livius Andronicus estaria rouco em um determinado episódio e assim teria criado o estilo - é uma forma que se caracterizava pela representação da mitologia e de fatos históricos com a presença de um coro – responsável pela narrativa – , de músicos e do pantomimus, um ator que representava, sem palavras, as ações que eram descritas pelo coro.

Pavis indica a existência, na atualidade, de 4 estilos ocidentais de Mímica – o mimodrama, a mímica dançada, a mímica pura e a mímica corporal – mas são conhecidos outros, que se caracterizam pela associação entre eles ou com aqueles presentes no teatro oriental.

Apesar disso, o termo mímica, atualmente, é sinônimo do estilo que mais se popularizou no mundo no último século, o mimodrama, também conhecido como pantomima moderna, visto freqüentemente em programas de variedades ou em números nas ruas das grandes cidades, foi especialmente difundido por Marcel Marceau e seu personagem
Bip.

A peça O Pupilo Quer Ser Tutor, da Cia Teatro Sim...Por Que Não?!!!, de Florianópolis, Santa Catarina, com direção de Francisco Medeiros, texto de Peter Handke com tradução de José Ronaldo Faleiro, nos leva a este universo da pantomima e mímica.

Uma peça densa, sobre relações de poder entre dois homens. Com preparação corporal certeira de Zilá Muniz, onde se vê explorada toda capacidade interpretativa dos atores Leon de Paula e Nazareno Pereira, cuja reposta corporal é imediata dentro da cena, com movimentação precisa e com segurança total. O cenário e figurino de Fernando Marés, nos faz lembrar A Corrida do Ouro, de Charles Chaplin, e O Ilusionista, de Jos Stelling.

A peça mostra a inevitabilidade dos conflitos entre os dois homens para que possam realizar seus respectivos desejos. O poder ditatorial, quase escravagista, onde vemos o tutor tratar o pupilo como se fosse seu animal de estimação, fazendo com que ele saia e entre na casa pela portinhola de animais. Um clima tenso, onde várias vezes nos faz perder o fôlego e prender a respiração na espera da reação do oprimido.

Cenas com serra elétrica em funcionamento, chaleiras no fogo apitando, todos os elementos cênicos condizem exatamente com a cena e dão o suspense necessário pedido pela atuação e direção.

Um espetáculo imperdível, um Mimodrama bem, feito como há muito tempo não se via.

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Um comentário:

Milton Ferreira Verderi disse...

QUE DELICIA VER MINHA CRITICA NO SITE
MUITO OBRIGADO PELA CONSIDERAÇÃO
E VIVA A ARTE!

MILTON FERREIRA VERDERI