quarta-feira, 30 de julho de 2008

Critica: Diálogo no silêncio


Nazareno Pereira, 50 anos, ator do grupo Teatro Sim... Por Que Não?!!!, vive um momento de reconhecimento pelo trabalho que desenvolve no teatro há mais de 20 anos. O ator integra o elenco da peça "O Pupilo Quer Ser Tutor", que atualmente percorre 12 cidades do país no projeto Palco Giratório, do Serviço Social do Comércio (Sesc). Em Florianópolis a apresentação é dia 18 de setembro.
O espetáculo vem recebendo críticas favoráveis, inclusive do jornal "Folha de S. Paulo", que chegou a usar o adjetivo preciosismo para o trabalho. Além disso, recentemente Pereira concedeu entrevista a um jornal televisivo de repercussão nacional.
A peça, escrita pelo austríaco Peter Handke, transcorre sem nenhum diálogo. O silêncio reforça a tensão dramática entre duas pessoas, o tutor e o pupilo, em situações cotidianas. "Não é mímica, mas pantomima, uma interpretação hiper-realista", explica o ator, que interpreta o tutor, ao lado de Leon de Paula, que faz o pupilo. A direção é de Francisco Medeiros.
O corpo tem importância fundamental na composição dos personagens, e a preparação dos atores demandou três meses de trabalho árduo. "Foi preciso observar a proposta poética e estética de como o corpo se coloca no espaço. Buscar naturalidade no andar, no sentar, se movimentar de modo direto, sem nenhum jogo", comenta.
A variedade de linguagens é uma característica do grupo. A estética de "O Pupilo..." é completamente diferente da encenação anterior, "... E o Céu Uniu dois Corações" (2005), outro sucesso de público e crítica. "O espetáculo remete ao teatro dos anos 1940 e 50, com o ator falando de frente para o público, o que é uma estética diametralmente oposta", observa.
O grupo prepara agora uma peça nova com crônicas de Nelson Rodrigues. "Não temos um vínculo preciso com nenhuma linguagem ou proposta teatral, nossa opção é pela possibilidade de descoberta", afirma.
Nascido em Lages, Pereira trabalhou no Banco do Brasil, em Araranguá, até que, aos 25 anos, decidiu mudar radicalmente. Pediu a uma tia de Florianópolis que lhe arranjasse um curso qualquer na Capital. Por acaso, ela encontrou um curso de teatro na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). No ano seguinte, em 1986, abriu a faculdade de teatro na instituição, e ele entrou na primeira turma. "Estou fazendo teatro há 12 anos e ainda estou aprendendo. Isso é bom, a gente se sente mais vivo."

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