quarta-feira, 11 de junho de 2008

Exposição na Capital traz obra de Hassis ao alcance dos cegos

Artes Plásticas
Relevos para contemplar com as mãos
Exposição na Capital traz obra de Hassis ao alcance dos cegos

A vida é feita de sensações. E para quem não pode exercê-las em sua plenitude existem adaptações. Foi seguindo esta linha de raciocínio que o Museu Hassis, em Florianópolis, criou o projeto Acessibilidade, onde parte da obra do genial Hiedy de Assis Corrêa ganha contornos e relevos para permitir que os cegos também leiam, sintam e interpretem as obras que Hassis pintou.Na exposição que se inicia hoje, dez telas da série "Artepoema" - criada em 1982 e onde cada quadro vem acompanhado de um texto de Silveira de Souza - foram reproduzidas em quadros menores e cada detalhe pintado por Hassis está em relevo. E vale tudo para traduzir os sentimentos e emoções que o pintor depositou nas obras: tinta, papel, tela, botão, lantejoula, todo e qualquer material que faça o cego sentir aquilo que não pode ver.Além do relevo, os cegos ou quem tem baixa visão poderão conhecer mais sobre a história, as técnicas e os temas que o artista trabalhou por meio de áudio. A carga de informação se completa com um catálogo em braille, uma raridade entre os requintadas peças que normalmente são produzidas para as exposições.O projeto coordenado pela diretora e filha do artista, Leilah Corrêa Vieira e desenvolvido por Vanessa de Andrade Manoel - uma estudiosa da área de acessibilidade - não se esgota nesta mostra. Esta é a primeira de uma série de atividades que pretende estender a arte aos deficientes visuais, que recebem tanto discurso mas tão poucas opções de atos de cidadania.JACQUELINE IENSEN FLORIANÓPOLIS
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O QUÊ: Projeto Acessibilidade.
QUANDO: abertura hoje, às 20 horas. Visitação até 29 de agosto.
ONDE: Museu Hassis, rua Luiz da Costa Fresyleben, 87, Itaguaçu, Florianópolis.
QUANTO: entrada gratuita.
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TRAJETÓRIA INQUIETA
Nascido em 1926, em Curitiba (PR), Hassis foi para Florianópolis em 1928. Ao longo de seus 75 anos, transferiu para as suas obras todas as suas inquietações, e também sua revolta com as injustiças sociais. Na década de 1950, juntou-se aos intelectuais que formaram o Grupo Sul.

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