segunda-feira, 12 de maio de 2008

Presidende da CCL, José Vilmar da Silva admite várias falhas no evento

do Livro
Mudanças a caminho
Presidende da CCL, José Vilmar da Silva admite várias falhas no evento

Encerrada com movimentação acima da média no sábado, - véspera do Dia das Mães - , a Feira de Rua do Livro de Florianópolis já está tendo sua estrutura rediscutida pela organização do evento.Nos últimos 11 dias, quem passou pela Praça da Alfândega encontrou muitas placas indicando ofertas, mas praticamente nenhum espaço reservado à discussão da literatura.Apesar de se declarar satisfeito em relação ao público - 185 mil com a participação de escolas, 65 mil a menos que a expectativa anunciada no lançamento do evento - e cifras alcançadas nas vendas - R$ 1, 2 milhões - o presidente da Câmara Catarinense do Livro (CCL), José Vilmar da Silva, admite que a existência de algumas falhas na programação da feira.O palco montado sob a lona branca foi utilizado somente para apresentações artísticas de grupos locais e escolas. Mesas-redondas, debates sobre incentivo à leitura e palestras com escritores, ações comuns em qualquer evento do tipo, ficaram de fora.- Deixou a desejar. A gente sempre tem alguma dificuldade. Precisamos melhorar, aprofundar mais - explicou o presidente da entidade.Segundo ele, a direção da CCL vem avaliando a possibilidade da voltar a organizar apenas uma feira do livro por ano.- A gente está analisando, com bastante calma e critérios, se continuaremos fazendo duas feiras do livro por ano. Não sei se Florianópolis comporta hoje duas feiras no mesmo local. Talvez seja melhor fazer uma grande feira, bem feita, do que duas.Desorganização e pouca preocupação culturalOutro fato que chamou a atenção foi a escolha de uma pessoa não ligada profissionalmente a área literária para o posto de patrono - fato repetido em outras edições. Este ano, o título foi dado ao presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto, que não compareceu à solenidade de abertura do evento, no dia 30.- Ele foi uma pessoa que deu muito incentivo para a CCL e nós o prestigiamos por ter tido esse papel tão importante - justifica Silva.Para o escritor catarinense e colunista do DC Amilcar Neves, as últimas edições da Feira de Rua do Livro de Florianópolis vêm demonstrando desorganização e pouca preocupação cultural.- O problema maior é saber o que se espera de uma Feira do Livro. Se é só para vender livros, ela está ótima - é uma feira de mercadores. Mas a Feira do Livro tem que ser algo mais sério, algo que reflita na sociedade. Precisa ter debates sobre políticas culturais, sobre difusão da leitura - avalia o escritor.Ele acredita que o evento realizado na Capital ficou atrás do organizado no início de abril em Joinville, que contou com a participação do escritor gaúcho Moacir Scliar em sua abertura.- A Feira do Livro de Joinville foi muito melhor do que a daqui. Eles levaram um monte de escritores para lá e tiveram alguns cuidados que não foram tomados em Florianópolis.O escritor Flávio José Cardozo também defende uma maior valorização do debate em torno de literatura na programação das próximas edições do evento.- A Feira do Livro de Rua está indo muito bem, mas acho que tem que se avaliar para não perder as suas validades básicas. O livro tem que ser a peça central. É preciso investir em um trabalho de preparação dos estudantes para a feira, debates, entrevistas, concursos, performances. Fazer do livro a estrela da festa.( karine.ruy@diario.com.br )KARINE RUY
Números
Público visitantes: 120 mil
Escolas visitantes: 111
Livros vendidos: 65 mil
Movimentação financeira: R$ 1,2 milhões

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