sexta-feira, 2 de maio de 2008

Numa cidade sem orquestra profissional, grupos como o da Sociesc são opção para instrumentistas de Joinville

Música
Erudito sem carteira assinada
Numa cidade sem orquestra profissional, grupos como o da Sociesc são opção para instrumentistas de Joinville

Pagar as contas, tocando música clássica em Joinville é um desafio até para o maior dos virtuoses. A cidade não tem uma orquestra profissional para contratar os talentos locais. Violinista desde os sete anos, Christiam Jaezer dá o diagnóstico da situação do músico erudito joinvilense: "Chega uma hora em que a cidade fica pequena. Quem quer se formar em música vai para Florianópolis ou Curitiba. E daí não tem porque voltar. Aqui não há campo de trabalho".Christiam, de 16 anos, é integrante da Orquestra da Sociesc, que desde 2005 apresenta concertos em Joinville e região. Os 40 músicos da orquestra não são remunerados, mas aproveitam a oportunidade de mostrar sua arte ao público, e aprimorar as habilidades nas oficinas oferecidas pela Sociesc. O grupo é comandado pela maestrina Fabrícia Piva, também responsável pelo maior celeiro de músicos de Joinville, a escola de música da Casa da Cultura. "Já formei dezenas de jovens que hoje fazem carreira fora da cidade. Só com o apoio do poder público poderíamos ter uma orquestra profissional."A gerente de extensão e comunicação da Sociesc, Giane Bracelo Luetke, informa que o objetivo da orquestra é desenvolver os talentos locais, e ajudar na formação de platéia. "Fazemos regularmente apresentações para escolas da rede pública, e muitos alunos nunca tinham visto antes uma orquestra", assinala Giane.A orquestra da Sociesc absorve músicos da própria instituição de ensino, da Casa de Cultura e autodidatas. O grupo também conta com um veterano da cena erudita joinvilense, Hamilton Homero Leimann. O violinista de 67 anos tocava na extinta orquestra da Sociedade Harmonia Lyra. "Não éramos profissionais, mas conseguimos fazer um bom trabalho, principalmente, sob o comando do maestro húngaro Tibor Reisner", lembra.Hamilton, que é dentista, acredita que falta mais divulgação para a música clássica. "Ninguém coloca fé no talento do músico daqui. Uma vez gravei um concerto da orquestra da Sociedade Harmonia. Estava ouvindo no meu consultório e um paciente me perguntou de que país era a orquestra. Ele não conseguia acreditar que era um grupo de Joinville, não sabia que fazíamos coisas do gênero por aqui."( rodrigo.schwarz@an.com.br )RODRIGO SCHWARZ JOINVILLE

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