sexta-feira, 2 de maio de 2008

Com um rico acervo, MIS só não é mais visitado por falta de funcionários

Patrimônio
Lembrança para ver e ouvir
Com um rico acervo, MIS só não é mais visitado por falta de funcionários

O ano é 1910. Um grupo de homens pára o trabalho na construção da estrada de ferro responsável por ligar o Rio Grande do Sul a São Paulo. Eles estão na região do Contestado, no Meio-Oeste catarinense, e fazem pose para o fotógrafo alemão August Sueter.É ele quem assina o canto direito do pedaço de vidro onde a cena foi estampada, hoje uma das relíquias guardadas pelo Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (MIS).Se você ficou interessado em conferir essa e outras fotografias com técnicas rudimentares realizadas por Sueter no Estado, passe a mão no telefone. Próximo de completar 10 anos (comemorados em setembro), o principal centro da memória audiovisual de Santa Catarina, não conta com infra-estrutura necessária para atender o público como um museu tradicional.Para conhecer o acervo que reúne milhares de fotografias, discos, slides e filmes, é necessário agendar previamente a visita ao Centro Integrado de Cultura, onde fica o museu. Não se trata de mais um procedimento burocrático de um departamento público, mas da única saída encontrada para driblar o número escasso de funcionários - oito, no total - e garantir um guia para os visitantes.Material está dividido em três salas climatizadasO acervo está dividido em três salas climatizadas (veja nos boxes), localizadas junto a administração do museu e a alguns metros do hall onde são exibidas câmeras e filmadoras do início do século passado. Essa é a única parte do acervo que pode ser vista sem hora marcada. Por falta de espaço, é também a única que se encontra exposta.Não será assim por muito tempo, espera a diretora do MIS, Denise Tomasi. Ela participou da criação do museu ao lado do cineasta Ronaldo dos Anjos e dos fotógrafos Marcio Henrique Martins e Danísio Silva.O grupo trabalha junto desde o extinto Núcleo de Documentação da Fundação Catarinense de Cultura, que deu origem ao Museu da Imagem e do Som. No início, o objetivo era ter um local próprio para armazenar as fotografias e vídeos produzidos em eventos da própria FCC.Maioria dos visitantes se resume a pesquisadoresO museu se desenvolveu e tornou-se o destino de coleções de discos, vídeos, fotografias e filmes. Entre as doações, estão as coleções de discos da Rádio Gaúcha e do comunicador Pedro Leite, da Rádio Itapema, além de 19 cinejornais produzidos por Armando Carreirão na década de 1960.Mas sem o espaço adequado, materiais que contam um pouco da história do meio audiovisual e da própria cultura brasileira e regional chegam ao conhecimento de um público bem menor do que desejava o quarteto - em sua maioria pesquisadores da área.Agora a expectativa é que a anunciada reforma do CIC, programada para o segundo semestre deste ano, disponibilize uma área maior para o MIS, que hoje divide espaço com a Ossca (Orquestra Sinfônica de Santa Catarina).- Nunca fizemos campanha para doação de materiais para o nosso acervo porque não temos área física para receber mais materiais - comenta a diretora do local.Outro desejo - na verdade uma necessidade urgente - é a contratação de bibliotecários para fazer um catálogo completo do acervo do museu. Apenas as coleções de fitas em VHS e vinis passaram pelo processo, graças ao trabalho de estagiários do curso de Biblioteconomia da Udesc. Do resto, pouco se sabe.- Hoje o MIS não é um museu, é um acervo. Museu é para se mostrar, tornar público. Mas nós esperamos que a reforma aconteça e mude isso - diz Ronaldo dos Anjos.( karine.ruy@diario.com.br )KARINE RUY

Curiosidades do MIS
Negativo em vidro
O processo, também conhecido por colódio úmido, foi desenvolvido pelo inglês Frederic Scott Archer em 1848, sendo difundido três anos depois. Ainda úmida com a mistura de colódio e nitrato de prata fotossensível, a chapa de vidro era exposta na máquina fotográfica por até dois minutos, captando a imagem desejada.
Disco de cera
O antecessor do vinil foi criado 1890 pelo alemão Emile Berliner, abrindo a era da difusão comercial da música. A camada de cera era colocada sobre um disco de zinco e recebia os registros sonoros. Depois, era imersa em uma solução ácida que reagia com as áreas gravadas, imprimindo-as em relevo.

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