quarta-feira, 7 de maio de 2008

Com recursos liberados só no meio do ano, atraso nas estréias teatrais é inevitável

Teatro
Cadê a peça que estava aqui?
Com recursos liberados só no meio do ano, atraso nas estréias teatrais é inevitável

Ávido por um espetáculo? Se você já assistiu a todas as peças que estrearam na cidade nos últimos meses, o melhor é esperar mais um pouquinho. As companhias de teatro de Joinville deram uma parada na estréias, e a maioria dos espetáculos deverá subir aos palcos apenas no segundo semestre, entre setembro e outubro. Mas a "culpa" não é dos artistas. A maioria das companhias depende de editais de cultura, que são sazonais. Mas, depois dos editais, os grupos dependem também da colaboração de empresas para captar recursos.As companhias começam a produzir novos trabalhos no começo do ano. O produtor e ator Cristóvão Petry, da Cia. La Trama, produz a peça "A Lição" aprovada no Edital de Apoio às Artes da Fundação Cultural, em 2006. Ainda em fase de captação, ele aguarda a liberação de verba para a montagem. A estréia está prevista para 21 de agosto. A peça só não saiu antes pela dificuldade de captar recursos. "O edital é uma novidade na cidade. Empresários não estão sensibilizados que podem ceder parte do imposto e ajudar em vários projetos", avalia.O diretor da Dionisos Teatro, Silvestre Ferreira, defende que o processo de estréia ocorra naturalmente no segundo semestre. A próxima produção de sua companhia, uma montagem ligada a um projeto social, ainda sem título, está prevista para junho. Silvestre defende a continuidade de grandes sucessos já apresentados, afinal, a cidade é grande, e sempre há público para boas peças serem revistas. "Muita gente ainda não viu", justifica o diretor. Por isso, o último espetáculo encenado pelo do grupo, "Migrantes", terá uma nova temporada este mês. A Dionisos também deve remontar "Amor por Anexins", com texto do Arthur Azevedo, montado pela companhia há dez anos."As coisas não acontecem aqui no primeiro semestre, parece que é tradição", aponta Caroline Schulz, que participa das companhias DiDois, Grupo de Teatro por Exemplo e Cia. Joinvilense de Teatro. Segundo Caroline, não existe procura no verão, e muitos artistas têm outros trabalhos. Outro fator é que fazer teatro não é tão rápido assim. Um final de semana de espetáculo pode demandar até um mês e meio de produção. "É possível criar e produzir um produto que pode ser perene e circular por muito tempo", defende. "Uma companhia não precisa necessariamente criar um espetáculo por ano." A Cia. Joinvilense planeja para o segundo semestre a estréia de "A Mais Forte", e o Grupo Por Exemplo, da peça "Esta Propriedade Está Condenada". Uma boa solução para que as peças tenham a estréia antecipada, aponta, é a de que o edital de cultura saia antes, para que os recursos sejam liberados antes do meio do ano.Outra companhia da cidade, a Em Cena Teatro teve o projeto aprovado pela lei do Mecenato em 2006, mas conseguiu parte do valor apenas este ano, no último dia para captação, o que possibilitará ao grupo continuar a busca por patrocínio. O grupo deve voltar em cartaz no Cena 5 - Mostra Joinvilense de Teatro em junho, com "Entre", que estreou no ano passado. "Existe um movimento claro, no primeiro semestre, mais efervescente por conta da lei, mas objetivo é ter todo o fim de semana", diz Jonas Raitz, do Em Cena.joinville
Saiba mais
Para ver migrantes
Uma boa oportunidade para ir ao teatro em Joinville neste mês é a peça "Migrantes", que faz uma temporada. O espetáculo estará em cartaz nos sábados e domingos do mês, no palco da Ajote, e nos dias 12, 13, 15 e 16 de maio, no Teatro Juarez Machado. O valor do ingresso é R$ 16 (R$ 8) e antecipados a R$ 12 (R$ 6) no Nosso Empório, no Shopping Mueller.

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