quinta-feira, 17 de abril de 2008

Vítimas da falta de uma bota berinjela


Festival Isnard
Vítimas da falta de uma bota berinjela

A comédia dramática Um Dia Anita encenada na noite de terça-feira no Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), na Capital, fala dos conflitos internos de uma mulher, muitos deles provocados pelas necessidades ditadas pela sociedade de consumo.Durante 50 minutos as atrizes Angela Bellônia, Morena Cattoni e Tatynne Lauria dirigidas por Diego Molina revelam um mar de sentimentos controversos na pele de Anita, mulher de 32 anos que vive atormentada pelos seus pensamentos. Numa sociedade que valoriza o dinheiro, o status - o ter em detrimento do ser - Anita se espelha na vizinha Patrícia que é capaz de ficar sem atender um telefonema, enquanto ela sonha em receber uma chamada, mesmo de um telemarketing qualquer. Com baixa auto-estima, Anita se sente inválida, sem importância, perdida na grande torre de babel que se transformou a humanidade.Na busca de aceitação e de identificação social ela sonha em usar as coisas da moda - como, por exemplo, uma bota berinjela. A rejeição que aflora ao longo da peça desencadeia uma louca busca por preencher seus espaços vazios. Sonha então em fazer uma descoberta fantástica que mude a história de civilização. Com um pequeno detalhe, além de não ser uma cientista, ela quer apenas o reconhecimento, não o trabalho para conquistá-lo.Pensa então no suicídio, sua grande vingança contra o mundo que a rejeita e teme que seu velório não atraia muita atenção, afinal se viva ela já sente ignorada, imagina então morta. Tem ainda a forma como ela vai se matar. Estuda a possibilidade de cortar os pulsos, mas lembra que precisaria estar numa banheira, uma vez que a água morna estimularia a perda de sangue. Como tudo não passa de uma forma de chamar a atenção, ela logo muda de idéia pois se tivesse uma banheira não precisaria se matar.As atrizes estão afinadas em cena e trabalham o texto num denso e intenso ritmo que prende o espectador ao palco. O cenário composto por apenas três cadeiras em estilos diferentes e figurino com pequenas variações revelam o lado doce, melancólico e por vezes sem esperança que temos em cada um de nós.( jacqueline.iensen@diario.com.br )JACQUELINE IENSEN

Nenhum comentário: