quinta-feira, 17 de abril de 2008

Os acrobatas da metrópole


Festival Isnard
Os acrobatas da metrópole

Numa metrópole, vidas se cruzam a todo instante nas ruas, nos becos, nos bares e nos vôos. Vôos? Na peça Crossroad, do grupo paulistano Paraladosanjos Arte e Vida, isso é possível. O espetáculo apresentado na noite de terça-feira, no teatro do Centro Integrado de Cultura (CIC), surpreendeu o público com técnicas circenses embaladas com músicas tocadas ao vivo.A montagem dirigida por Marcos Becker apresentou, no Festival Isnard Azevedo, nove atores que, no palco, exploram aspectos que vão muito além da arte cênica tradicional. Eles são instrumentistas e acrobatas a serviço do teatro. O resultado desta mistura é um conjunto sonoro e visual que impressiona e tira o fôlego dos que assistem aos movimentos precisos dos artistas (menos de alguns mal-educados, que não estão acostumados a ir ao teatro e perturbam com assobios irritantes).Em Crossroad, os atores transformam ações do cotidiano em balanços e acrobacias. Os personagens desta dança aérea sobem e descem, giram, suspendem, caem. Os diálogos são curtos, pois o que importa são efeitos sensoriais transmitidos pela música e pela acrobacia.Os movimentos - como o balanço dos passageiros dentro do metrô - e os personagens - os travestis, o mendigo, o músico de rua - insinuam tratar-se de uma grande cidade. Em seus recantos, a violência e as drogas fazem parte da rotina. É quase impossível evitar ou fingir que isso não existe.Na faixa de segurança, os metropolitanos cruzam uns pelos outros, cada um com sua pressa. Não se sabe onde vão com tanta pressa, mas sabe-se que têm histórias a revelar.( marcio.alves@diario.com.br )MÁRCIO MIRANDA ALVES

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