segunda-feira, 21 de abril de 2008

Mais visual do que textual em cena

Festival Isnard Avezedo
Mais visual do que textual em cena

Bastam alguns minutos de cortina aberta para ter certeza que a proposta do Teatro Ritual, de Goiânia (GO), é inovar. Na peça Travessia, apresentada sábado à noite no CIC, o grupo se afasta da estrutura dramatúrgica tradicional para deixar o espectador, no mínimo, perplexo.A peça é descrita como uma encenação poética inspirada na dança butô japonesa - criada por Tatsumi Hijikata no final dos anos 1950, quando o Japão amargava os destroços do final da Segunda Guerra. No palco, os atores Nando Rocha e Pablo Angelino criam a sensação de um ritual. Não pelo texto, praticamente inexistente, mas pelos gestos sincronizados e movimentos que lembram algum tipo de dança mística (não por acaso o grupo contou com uma assessoria em dança contemporânea).O estranhamento é acentuado nos primeiros 30 minutos de espetáculo, quando da voz de Nando e Pablo é possível ouvir apenas grunhidos e algumas poucas frases, aparentemente em japonês. Na segunda parte, o diálogo finalmente surge, embora seja necessário muito esforço para relacioná-lo ao tema travessia, divulgado na sinopse da peça.Se a opção por uma narrativa mais visual que textual não favorece a compreensão imediata do espetáculo, a expressão corporal dos atores e os efeitos de luz brindam conseguem brindar a platéia com belas cenas de palco que condizem com o sentido poético almejado pela obra. (K.R.)KARINE RUY

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