terça-feira, 22 de abril de 2008

Estudiosa procura informações sobre primeiras peças em alemão de Joinville

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No rastro da primeira fala
Estudiosa procura informações sobre primeiras peças em alemão de Joinville

O primeiro relato de uma peça de teatro apresentada em Joinville data de 22 de abril de 1866. Naquela época, os imigrantes alemães se reuniam para representar e, depois, participavam de um grande baile. Os espetáculos eram falados em alemão e o palco era o Harmonie, conhecido nos dias de hoje como Harmonia Lyra. Hoje, exatos 142 anos depois, pesquisadores buscam parentes de integrantes destes grupos para resgatar o teatro joinvilense da época.Naquela noite, a peça apresentada foi "List und Pflegma", uma comédia em um ato do francês Louis Angely. Em um jornal da época, o comentário era de que a "alegria contagiante da peça deu motivo para a continuação da festa, num animado baile que foi até o clarear do dia".Essas informações foram encontradas por Fernanda Baukat, estudante do curso de letras - alemão da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela mora em Curitiba e iniciou a pesquisa em 2007, como trabalho de iniciação científica. Assim que começou a estudar o tema, Fernanda entrou em contato com o Arquivo Histórico de Joinville. Ela recebeu o livro "Joinville - Nosso Teatro Amador (1858-1938)", de Elly Herkenhoff (já falecida), que ajudou a desvendar um pouco da história. Mas Fernanda explica que, mesmo com o empenho da autora, ainda faltam dados, depoimentos e fotografias. "Acredito que a maior parte do material esteja em posse dos parentes dos participantes", diz.O objetivo é fazer um levamento documental e entrevistas para que, além da possível dissertação de mestrado, o resultado seja apresentado no congresso internacional da Thalia Germanica, na Alemanha. Thalia Germanica é um grupo que desenvolve pesquisas sobre o teatro alemão falado em todo o mundo.Conforme a pesquisa de Fernanda, existem registros sobre peças teatrais até 1935. "Os documentos estavam fora de ordem, mas acredito que já dei conta de metade deles", antecipa. O mais curioso é a forma como a pesquisadora chegou até Joinville. A avó do seu orientador, o professor doutor Paulo Soethe, da UFPR, era uma imigrante alemã que fazia parte de um desses grupos.Em 2006 , quando Paulo fazia pós-doutourado na Alemanha, encontrou a Thalia Germanica. Foi convidado para falar sobre o teatro em língua alemã no Brasil. "Não tinha informação nenhuma e aí começou a pesquisa", relembra Fernanda. Agora, ela pretende vir até Joinville para ampliar a pesquisa de campo. Para isso, ela precisa do apoio de parentes de imigrantes, que possam mostrar documentos e imagens.( aina.vietro@an.com.br )AINÁ VIETRO JOINVILLE

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