terça-feira, 29 de abril de 2008

Desabamento causa alerta sobre a estrutura física dos espaços da Cidadela Cultural Antarctica


Cultura
Paredes no chão
Desabamento causa alerta sobre a estrutura física dos espaços da Cidadela Cultural Antarctica

No sábado pela manhã, membros da Associação de Artistas Plásticos de Joinville (Aaplaj) não puderam deixar de notar que algo estava bem diferente em sua sede. O prédio ao lado da entidade, localizada na Cidadela Cultural Antarctica, desabou durante a madrugada e a manhã de sábado. O galpão que caiu era a antiga estação de força da cervejaria que funcionava no local. O espaço estava desocupado, e ninguém se machucou durante o desmoronamento.A artista plástica Sonia Rosa, presidente da Aaplaj, esteve sábado no local para participar de um oficina de pintura. "Ao chegar, o guarda me alertou sobre o desmoronamento do telhado do galpão e que a parede estava prestes a cair. Havia uma faixa de isolamento. Durante a oficina, logo a seguir, ouvimos um barulho horrível, e corremos apavorados. O resto do prédio desabou, pendendo para o lado em que estávamos", conta Sonia.A Cidadela é administrada pela Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (Conurb), mas parte do local é ocupada pela Fundação Cultural de Joinville (FCJ). A Conurb aponta que o galpão que desmoronou é de responsabilidade da fundação. O diretor da FCJ, Charles Narloch, diz que já foi encaminhado à Prefeitura um pedido para que sejam apurados os motivos do desabamento e se há necessidade que outros galpões sejam interditados. "O espaço não estava sendo usado para fins culturais, mas tomaremos as providências necessárias", assinala.Segundo a coordenadora da Cidadela, Isa dNardo, o galpão que desabou era o único espaço que ainda não havia sido reformado. Ela garante que o restante da Cidadela está em boas condições. "Nós sabíamos que o local estava com problemas no telhado. Não temos ainda o laudo técnico, mas provavelmente foi uma viga que se partiu", acredita. Ela revela que a FCJ planejava ceder o galpão para alguma associação de artistas de Joinville.Para a presidente da Aaplaj, o local sofre pelo descaso. "E agora? Vamos esperar que tudo caia? Perder este magnífico espaço descrito nas páginas da história de Joinville? Nosso espaço, assim como os demais, necessita de cuidado, de manutenção. Trata-se de um local que não pertence só à classe artística, mas a toda uma comunidade que quer um espaço cultural digno, onde a arte se propague", desabafa Sonia Rosa.

( rodrigo.schwarz@an.com.br )RODRIGO SCHWARZ JOINVILLE


Saiba mais
A HISTÓRIA DO PRÉDIO
O complexo que fica na rua 15 de Novembro foi construído em 1942, para sediar a Cervejaria Catarinense, comprada pela Antarctica na década de 1960. Com o fechamento da unidade da Antarctica em Joinville, a Prefeitura comprou o espaço em 2001 por R$ 2,1 milhões. A área total construída é de 12 mil metros quadrados, distribuídos em 14 blocos.