quinta-feira, 17 de abril de 2008

Com efeitos simples, peça infantil encantou o público do Floripa Teatro


Festival Isnard
Poeira de estrelas
Com efeitos simples, peça infantil encantou o público do Floripa Teatro

Faltava apenas um minuto para o início da peça Convocadores de Estrelas, na manhã de ontem no Teatro Álvaro de Carvalho, na Capital, e as crianças já gritavam inquietas: começa! Durante a hora seguinte, os pequenos eufóricos eram só atenção e silêncio, interrompidos por gritos e risadas estimulados pelo espetáculo de luzes, sombras e bonecos.A chuva e o frio não impediu a lotação do teatro. O grupo Seres de Luz Teatro, de São Paulo, encantou a platéia, tanto as crianças quanto os adultos que as acompanhavam. Com efeitos simples e, ao mesmo tempo, impressionantes de luzes, contou a história de duas crianças, responsáveis por salvar a galáxia de um devorador de estrelas.O temido vilão não precisou dizer uma palavra. Eram apenas olhos de gato que saltavam do escuro e provocavam gritos pavorosos das crianças. No cenário, luzes que representavam o céu estrelado.Os personagens eram bonecos que ganhavam vida e movimentos perfeitos manipulados pelos atores. Ao pendurar-se numa laranjeira, os irmãos Pedro e Lola encontram estrelas e as comem como balas. Assim, elas próprias se transformam em estrelas ao afastarem-se da luz. A bela metáfora cita, sem dizer, o mito tão antigo quanto a humanidade: todos nós viemos e somos feitos de estrelas.Um velho sábio as avisa que olhos de sombras vão destruir a grande constelação e as crianças são incumbidas de impedir o avanço do "nada". Elas devem recuperar as estrelas e devolvê-las ao céu. Acompanham a aventura um coro de anciãos, que canta músicas belíssimas compostas e executadas por Badi Assad.As crianças são protagonistas e heróis da história. Dão lições de humildade, compaixão e persistência. Lola, por exemplo, solta um traidor da armadilha, mesmo tendo sido enganada por ele. Além disso, enfrenta o mosntro para defender o irmão e o estimula a prosseguir.Um conto onde a mocinha não atrapalhaInteressante notar que o papel feminino no espetáculo difere da imagem tão difundida da mocinha que só atrapalha ou dá trabalho ao herói.O espetáculo é dirigido por Rafael Turci e os atores-títeres são os argentinos Lily Curcio e Abel Saavedra, que formaram o grupo Seres de Luz Teatro no Brasil, em 1994. Ao final da peça, os atores fizeram uma reverência a pessoa responsável pela iluminação da peça. Nada mais justo num espetáculo em que a luz é praticamente um personagem.( alicia.alao@diario.com.br )

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