terça-feira, 29 de abril de 2008

Amuleto bizarro


Cinema
Amuleto bizarro

O horror, esse medo ancestral da morte, que expõe a fragilidade e finitude humanas fascina leitores, espectadores e platéias. Entre os ícones do estilo estão o romance Frankenstein (1818), de Mary Shelley, e o cinema expressionista alemão. Inspirado por esta tradição, com pitadas de realismo fantástico e a linguagem contemporânea do vídeo, foi realizado o curta A Mão do Macaco, de Jefferson Bittencourt, que estréia hoje na Capital.Rodado em vídeo digital, o filme adentra a história de dois irmãos, Sandra (Gláucia Grígolo) e Lucas (Leandro Waltrick), que comemoram o aniversário da mãe (Sandra Meyer). Na madrugada após a festa, um estranho visitante (Édio Nunes) chega à casa portando um objeto sinistro: a mão decepada de um símio.O estranho afirma que o tal amuleto é capaz de realizar os desejos daquele que o possuir. O amigo da família (Renato Turnes), que registrava a festa com uma câmera, passa a testemunhar os fatos misteriosos que ocorrem no decorrer da história, que culmina num desfecho assustador.O texto é adaptado do conto homônimo de W. W. Jacobs. O projeto de Bittencourt foi desenvolvido com recursos do Prêmio Edital Cinemateca Catarinense 2005. O formato em vídeo é proposital e a câmera na mão funciona como um personagem no filme, dando uma impressão fantástica.O curta, produzido pela Vinil Filmes, foi rodado em três dias na casa da atriz, coreógrafa, professora e bailarina Sandra Meyer, no Parque São Jorge, na Capital. Toda a equipe concentrou-se no ambiente durante esse período, inclusive dormindo no local.- Foi, talvez, a decisão mais importante de todo o filme. Creio que os grandes filmes de horror sempre trataram de enclausuramento. Os lugares fechados proporcionaram a agonia devida e a síntese necessária às situações mais extremas. A casa, no filme, é um personagem vivo que revela fotografias da família, cantos escuros e pontos frágeis dos personagens - explica o diretor.Os ensaios com o elenco principal começaram um mês antes do início das filmagens. Jefferson Bittencourt buscou atingir um grau de interpretação profundo que levasse o espectador à sensação de realidade provocada pela atmosfera documental que o filme estabelece, como em A Bruxa de Blair (1999).- A sensação que a platéia deve ter é a de um filme caseiro, casual, mas tudo foi extremamente construído. A própria câmera, inclusive, é manuseada por um dos atores (Turnes), o que tornou ainda mais complicada a maneira como filmamos e o que escolhemos para fazer parte do filme - ressalta.Jefferson Bittencourt e Renato Turnes já trabalharam juntos anteriormente na criação da Trilogia Lugosi, para o teatro, que investiga o universo fantástico, em 2003. No ano seguinte, paralelo aos projetos dramatúrgicos, Jefferson enveredou pela música e criou o grupo Cantus Firmus, especializado em música medieval e renascentista.O vídeo A Mão do Macaco será exibido para convidados no Teatro da Ubro, às 20h, e depois para o público em geral, no Blues Velvet, às 22h, ambos na Capital.
Serviço
Quando: hoje
Horário: 22h
Onde: Blues Velvet, Rua Pedro Ivo, 147, Centro, Florianópolis
Ingressos: R$ 7

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