sábado, 8 de dezembro de 2007

Prédio da FCC finalmente é tombado


Memória
Criciúma é presenteada
Prédio da FCC finalmente é tombado
ANA PAULA CARDOSO/ Criciúma

Após 16 anos de espera, Criciúma foi presenteada com o tombamento de um dos imóveis mais charmosos da cidade e com indiscutível apelo econômico e político na história criciumense. Uma cerimônia oficial realizada ontem garantiu a preservação da sede da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), instalada no Centro Cultural Jorge Zanatta, um casarão de estilo arquitetônico colonial espanhol construído em 1945 e localizado nos altos da Rua Coronel Pedro Benedet, no Centro. A condição de patrimônio histórico, artístico e cultural foi decretada pela prefeitura de Criciúma em novembro, mas a proposta é de 1991. De acordo com o ex-vereador e autor do requerimento de tombamento, Marcio Zaccaron, a intenção inicial era tornar a casa um centro de cultura ou um museu do carvão, pelo forte laço histórico do prédio com a cidade. Anexar um auditório para espetáculos, além instalar estúdios de rádio e tevê educativas, videoclube e centralizar uma sede das entidades culturais também estava nos planos.- Fico feliz que o tombamento tenha ocorrido. Pena que levou tantos anos para o poder público perceber que o casarão poderia ser demolido ou engolido pela modernidade - observa Zaccaron.Parecer do Iphan acelerou o processoDurante 16 anos o processo esbarrou na demora dos trâmites oficiais e de pesquisa sobre o local. Em novembro deste ano, a equipe da Fundação Cultural de Criciúma (FCC) recebeu o aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fundamental para a assinatura do decreto de tombamento. O relatório remetido pela chefe do escritório técnico II do Iphan, Ana Paula Cittadin, ressalta a localização, valor e referências históricas do imóvel, e classifica o casarão como "um marco simbólico do desenvolvimento da região". O historiador e coordenador do Patrimônio Histórico da FCC, Deivid da Silva Pinto, responsável pela documentação que justifica o tombamento, não tem dúvidas sobre a necessidade de preservação do patrimônio.- Nesse caso, a casa reúne todos os pré-requisitos e mais um pouco. Seria um descaso muito grande não tombar um lugar que foi importante para o carvão, foi cenário do regime militar e hoje respira cultura - comemora o historiador. Especulação imobiliáriaameaçava imóvelPara o prefeito Anderlei Antonelli, a manutenção do patrimônio através do tombamento é uma medida urgente, pois logo o terreno seria vendido e algum outro empreendimento, erguido em seu lugar. Isso porque a casa, localizada na área de metro quadrado mais valorizado da cidade, tem um terreno amplo, arborizado e já está rodeado de edifícios de alto padrão. Aliviada pelo tombamento, a presidente da FCC, Iara Gaidzinski, comemora a posse do imóvel, pois o governo federal era proprietário da área e poderia requerer a posse ou até mesmo promover sua privatização. Ela ressalta que o tombamento irá facilitar a captação de recursos para a recuperação da estrutura e conservação junto à Lei de Incentivo à Cultura, e projetos culturais. - Na casa tem muita vida, juventude, música o dia todo. Com o tombamento, ganharemos mais um cartão de visitas e o prédio será revitalizado - resume. ( ana.cardoso@diario.com.br )

O que já está tombado no município
Existem 12 imóveis tombados e 40 imóveis estão sob pesquisa
Associação Bellunesi Nel Mondo - Bairro Morro Albino
Casa Londres - Praça Nereu Ramos - Centro
Casa da Cultura - Praça Nereu Ramos - Centro
Casa do Vô Justi - Bairro Universitário
Ponte de Ferro - Bairro São Roque
Museu Histórico Geográfico Augusto Casagrande - Bairro Comerciário
Mina Modelo Caetano Sônego - Bairro Mina Brasil
Capela de São Roque - Bairro São Roque
Capela de São Sebastião - Bairro Morro Albino
Capela de 3ª Linha Sangão - Bairro Capão Bonito
Cruz da Igreja Católica de São Paulo Apóstolo - Bairro Michel
Igreja Matriz Nossa Senhora da Salete - Bairro Próspera
Casa que abrigou o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) - Centro
O que é patrimônio histórico?
Um bem é considerado patrimônio histórico de uma cidade quando apresenta um significado especial para este lugar.
Pode ser caracterizado da seguinte forma: pela arquitetura da época em que fora construído, por ser referencial da cultura, do trabalho ou da religiosidade do povo e por ter marcado um acontecimento político e/ou inédito na vida da comunidade.
A estrutura da fachada do imóvel não pode ser alterada de maneira alguma para manter vivos os traços do passado.

Saiba mais
Histórico

O mais novo patrimônio histórico de Criciúma foi construído para abrigar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), quando Criciúma despontava na extração do carvão mineral, em 1945. Na época, a cidade recebeu o título de Capital Brasileira do Carvão.
O terreno foi doado pelo coronel Pedro Benedet ao governo do Estado de Santa Catarina para que fosse construída uma escola. Entretanto, o potencial econômico da cidade falou mais alto. Tudo o que envolvia a produção carbonífera foi concentrado na edificação.
No local funcionavam um laboratório para análises mineirais e galpões para o acondicionamento do material de pesquisa. Também foi instalado o primeiro aparelho de raio-X de Santa Catarina para atender aos mineiros, vítimas de doenças pulmonares.
A construção serviu como sede do DNPM até 1960, quando foi desativado e instalada a Comissão Executiva do Plano do Carvão Nacional (Cepcan) em 1962. A partir dessa data, passou ser subordinada ao Ministério de Minas e Energia. Na década de 1970 até o início da década de 1990, a casa passou a sediar o Conselho Nacional de Petróleo (CNP).
Em 1993, a casa foi transformada no Centro Cultural Jorge Zanatta e desde então abriga a Fundação Cultural de Criciúma (FCC). As instalações comportam a galeria de arte contemporânea, oficinas de arte e de música, um auditório, um galpão de arte, além de cozinha, banheiros, garagens e depósitos.

Um comentário:

Via T-Shirt disse...

Boa Tarde,
Saberia me dizer se este prédio já foi residência particular?