sábado, 6 de outubro de 2007

Árvore Sagrada entra em cena no TAC



Teatro
Berimbau para mudar o mundo
Árvore Sagrada entra em cena no TAC
ALÍCIA ALÃO

Elementos da cultura popular afro-brasileira se integram à contemporaneidade para transmitir uma mensagem de resistência e valorização da natureza e do ser, na ânsia de transformar a sociedade. Tais ferramentas e propostas estão no espetáculo musical Árvore Sagrada, que será apresentado hoje e amanhã no Teatro Álvaro de Carvalho, na Capital.Sob a direção artística e musical de Déo Lembá, o espetáculo foi criado coletivamente após um ano e meio de oficinas, laboratórios e ensaios com jovens artistas. Nesse período, o diretor cênico Gilberto Farias realizou aulas de interpretação e Bibiana Machado orientou o grupo sobre a coreografia. A partir de um roteiro inicial, foram criadas as cenas no decorrer dos encontros.São 22 integrantes, considerados intérpretes-criadores do espetáculo, que descobriram suas dificuldades e potencialidades e contribuíram na criação com suas próprias necessidades, indagações e aspirações.A capoeira angola e o berimbau, instrumento considerado sagrado pelos capoeiristas, foram pontos de partida para reunir artes diversas, como a dança, o teatro, o canto, a música e, até, a videoarte. Não se trata de uma história com seqüência cronológica, mas cenas que abordam a escravidão, as relações de poder e a dominação do homem pelo homem. - O principal problema da sociedade atual é a falta de envolvimento com a natureza, que gera a perda de identidade própria. O espetáculo provoca uma reflexão sobre a tragédia humana da escravidão pelo dinheiro e questiona o que fazer para reverter isso - explica Déo.A trilha sonora é resultado de pesquisa e composição de gêneros musicais brasileiros. Déo relacionou 148 gêneros, e acredita haver muito mais nos recantos do país. No palco, os artistas desenvolverão a música orgânica, criação improvisada em cena que usa o corpo e a voz dos intérpretes como fonte de ritmos e sons. Um coro cênico, com pessoas que cantam e representam ao mesmo tempo, será acompanhado de violão, piano, flauta, sax, baixo e percussão. Mantras polifônicos criarão imagens sonoras para representar cenas, seja a escravidão, uma tribo primitiva ou uma grande tempestade.A lenda do instrumento que surgiu de um galhoO nome do espetáculo, Árvore Sagrada, foi inspirado na lenda do berimbau, que teria surgido de uma árvore, cuja semente foi trazida por escravos africanos ao Brasil. Os escravos se reuniam em torno dela para fazer suas rezas, mas o tronco foi cortado pelo dono da terra. Um galho remanescente produziria sons misteriosamente. - O berimbau é um instrumento musical que aglutina toda uma cultura. Na capoeira, as pessoas cantam, tocam, jogam, fazem poesia, expressam a dor, lutam, dão golpes, dançam - destaca Déo, que publicou há cinco anos em Salvador um manual, onde constam pelo menos 15 toques e cinco tipos diferentes do instrumento.O espetáculo tem um caráter educativo, a começar pela formação dos próprios artistas, mas que se prolonga na mensagem para o público, de privilegiar o "ser" em lugar do "ter". O projeto atual, que tem apoio do Funcultural, deve ser ampliado. A troca de experiências com remanescentes de quilombos e localidades afastadas das grandes cidades também está nos planos.- O "sinhozinho" que vive lá no campo, não teve uma formação erudita e consegue expressar sua natureza ao tocar um instrumento. Para mim, isso é uma das coisas mais belas do mundo - emociona-se o diretor.( alicia.alao@diario.com.br )
Serviço
Quando: hoje, às 20h, e, amanhã, às 19h
Onde: Teatro Álvaro de Carvalho, Praça Pereira Oliveira, s/n, Centro, Florianópolis
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Informações: (48) 3028-8070

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