segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Natureza que vira arte

Gente
Natureza que vira arte
CRISTIANO RIGO DALCIN/ Garopaba

Há um ano em Santa Catarina, o artesão Silvio Roseno Fetter, 45 anos, chama a atenção dos turistas que freqüentam Garopaba com um trabalho original. Criativo desde "guri", o gaúcho de Taquara transforma sobras da natureza em lustres e luminárias que se integram com perfeição ao estilo rústico de decoração das casas de praia, e ainda distribui gratuitamente "peixes" confeccionados em palha de coqueiro. Silvio enxerga arte na matéria-prima que os leigos descartam sem pensar duas vezes. Parte de palmeira imperial vira luminária estilizada em rabo de baleia franca, pétala de coqueiro recebe retoques para formar um lustre. Tem ainda o bambu entalhado e preenchido com parafina colorida. As peças ganham a junção de outros materiais apanhados da natureza, como troncos e raízes revitalizadas ou pedras semipreciosas, como a ametista. - A minha visão atual de arte e do artesanato me faz buscar este elo perdido que foi abalado pela modernidade, pelos materiais sintéticos e industrializados - explica Silvio. A percepção a partir das sobras da natureza foi revelada entre 1999 e 2004, quando residiu em Recife (PE). Lá, onde a matéria-prima é abundante, Silvio realizou oficinas e exposições. Vendia os produtos em hotéis e tinha grande aceitação dos turistas europeus. Mas o artesão levava uma vida de excessos, e o dinheiro pouco ajudava. Tenso, Silvio convivia com a felicidade temporária do álcool. Neste período, ele conheceu uma índia que confeccionava peixes a partir da palha do coqueiro. O ensinamento foi transmitido com a condição de que a arte nunca fosse trocado por dinheiro. Em 2005, o artesão retornou ao Rio Grande do Sul e foi para um centro de recuperação para dependentes químicos e de álcool. Foram nove meses de internação, até que decidiu ir ao encontro dos familiares em Garopaba, no ano passado. Em Santa Catarina, o artesão recuperou a auto-estima. - Consigo perceber a mudança no estilo de vida a partir do acabamento das peças - constata Silvio, que, enquanto aguarda a presença de compradores interessados na sua arte, se distrai com a confecção e a distribuição dos peixes para as crianças. ( cristiano.dalcin@diario.com.br )

Um comentário:

Anônimo disse...

olá poderia informar onde podemos encontrar essas peças?